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Escrito por Ap. Jota Moura   
Fratria Patria

“Patriotismo não Basta: é preciso não ter ódio de ninguém.” (Edith Cavell)

 

 

Todos os órgãos da imprensa brasileira, aqui e além, deram destaque especial às comemorações diversas alusivas ao “Dia da Independência” política do Brasil como colônia de Portugal. Não iremos “chover no molhado” repetindo o óbvio. O lamentável é que pelo menos aqui no “little Brazil”, a despeito da bem elaborada e amplamente divulgada programação, o acontecimento não motivou a participação massiva dos “brazicanos” na festividade. Fato que possivelmente, também, desmereceu a participação de autoridades americanas, pelo menos no cerimonial de hasteamento de nossa bandeira! A maioria preferiu  cair no “arrasta pé” da lagoa...

Reclama-se da falta de patriotismo do nosso povo, transversalmente, o oposto do povo americano. Bem, sabemos que a temática é bastante controvertida. Deixemos de lado a polêmica ideológica. Segundo enciclopedistas, patriotismo é um sentimento de amor à pátria. Sentimento teoricamente complexo, integrado por vários componentes a seguir elencados.

1) Participação desinteressada, ou seja, por puro amor que não visa  auto-promoção ou vantagens pessoais, sendo capaz de sacrifícios pela pátria (país natal), inclusive o da própria vida.

2) Visão realista, isto é, ter a percepção de que a dedicação à pátria, independe de sua realidade positiva ou negativa, por isso não há necessidade  de se criar uma imagem fantástica e ufanista da mesma.

3) Permanência fiel, significa jamais envergonhar-se (ou envergonhar) (d)a sua nacionalidade, quer nas horas de humilhação ou de glória. O que acontecer com um, será o opróbrio ou o triunfo de todos!

4) Exclusão das rivalidades, fruto do complexo de inferioridade invejoso. A verdadeira cidadania inspira-se  a trabalhar com maior estímulo ao deparar-se com países de maiores riquezas, tecnologias e saberes científicos ou artísticos. Nada de ressentimentos depedradores ou mesmo “espírito de garimpagem” contra outros.

5) O verdadeiro patriotismo se distingue do nacionalismo, sendo este  um estado febril do patriotismo histórico de um povo, especialmente quando luta por sua emancipação política e econômica. Por isso mesmo, o nacionalismo contém quase sempre um travo de chauvinismo (patriotismo espalhafatoso e exagerado) e xenofobia (aversão aos estrangeiros).

Assim, exprimir simples emoção sentimental é reduzir o autêntico amor patriótico, a ser manifesto no cumprimento dos deveres cívicos e na solidariedade com os compatriotas. 

Daí, justificar-se o nosso tema: Mais fratria pela Pátria. Fratria é um termo antropológico usado para uma divisão de parentesco, constituída por dois ou mais clãs distintos na Grécia pré-clássica. Em sua gênese, cada tribo era constituída por várias fratrias. A psicologia da família entende fratria como uma forma de relacionamento que une pessoas que se cognominam irmãos, podendo as mesmas terem laços biológicos ou sócio-afetivos. (cf. Wikipédia)

“O subsistema fraternal envolve pessoas que não tiveram a opção de escolher por este convívio, sendo levadas obrigatoriamente, a viverem juntas. Por mais que não desejem esta relação, não conseguem se “divorciar”, os laços fraternais são eternos assim como os vínculos parenterais. (Nina V. Guimarães & Ana V. Galvão in Fratria: suas características e implicações na dinâmica familiar).

Está provado que o bom relacionamento fraternal é fundamental para o desenvolvimento saudável do ser humano. Neste círculo, a pessoa vivencia as relações horizontais, aprendendo a conviver com as diferenças, competir pela excelência e a experimentar sentimentos de rivalidade ou cumplicidade. Se não sedimentar-se na base da formação de cada um, a verdadeira fratria (ver o outro como irmão), jamais consumar-se-á  a edificação do sentir e agir patriótico. Dizia Voltaire: “é lamentável que para sermos bons patriotas, tenhamos de nos tornar inimigos do resto da humanidade”.

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Boston, Setembro 15, 2008 - Publicado no Jornal Refletir News

OBS. Um Leitor atento observou um lapso referencial no primeiro artigo: a expressão “brava gente brasileira” pertence ao Hino da Independência e não ao Hino Nacional Brasileiro, como publicado. Grato por sua leitura atenta e contribuição valiosa.


Jota Moura Rocha, maranhense, casado, convertido a Cristo em fevereiro 1963, ministro do Evangelho desde 1970, doutor em Teologia, advogado, filósofo, autor de várias obras literárias, presidente da Rede de Igrejas  CB’Shalom Internacional e do Ministério  Basileia Apostolic Ministries, Inc., apóstolo membro da ICA-International Coalition of Apostles, presidida pelo Dr. Peter Wagner.  Reside em Boston, MA – EUA, onde pastoreia com sua esposa, Rev. Dr.  Regina Pinto Moura, a Shalom International Baptist Community of Boston.

 
 
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