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O Cristão e a Politíca PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Ap. Jota Moura   

Muitos cristãos se recusam a debater ou analisar temas políticos. Preferem ficar fora deste tão difícil e escorregadio terreno por várias razões. Alguns dizem que não têm vocação para política. Outros se defendem dizendo-se "neutros", "apolíticos" ou simplesmente alegam, "não gostarem de política". Acontece porém, que não é possível al­guém se manter afastado ou alienado das questões sócio-políticas. Pois elas fazem parte do nosso dia a dia e as manchetes se sucedem: "a inflação subiu," o salário baixou" .0 governo negociou a dívida externa", etc. O país enfrenta a cada dia problemas momentosos nas áreas econômicas, sociais, políticas, que ameaçam a sociedade, inclusive à própria Igreja. Não se pode admitir um cristão indiferente, ignorante e cego quanto aos fatos que acontecem ao seu redor. O nosso texto visa fomentar na mente e espírito do povo de Deus, maior interesse e participação nestas questões momentosas. Vamos procurar na palavra de Deus e na história, os princípios e lições que nos ajudarão a desenvolver um cristianismo responsável, comprometido, sem escapismo, cheio de boas obras por amor; que ilumine, salgue e levede os indivíduos bem como as estruturas políticas, sociais e econômicas do nosso País (Mt 5.13-16; 13.33). 

CONCEITUANDO POLÍTICA

1) Significado do termo - "Política no sentido mais amplo, é a organização da sociedade em função do Estado", "Política é a arte de saber governar bem um povo ou nação". Isso implica que as decisões do governo, afetam e atingem diretamente a todos os cidadãos daquele governo, exigindo uma resposta de cada um e de todos nas decisões tomadas.

2) Sentido restrito - Política num sentido restrito por excelência se expressa na militância e engajamento em partidos políticos. Aqui levanta-se a questão: deve o cristão engajar-se numa militância político-partidária? Mais à frente voltaremos à questão à luz do Evangelho e do exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo.                                                                                                          

3) Modelos políticos - Com o correr dos anos, o ser humano desenvolveu estruturas políticas diversas, na mesma proporção em que se multiplicou formando sociedades e culturas diferentes sobre a terra, visando melhorar o jeito de governo:

  • Teocracia - Significa o governo de Deus praticado até Samuel (1 Sm 10.17-19).
  • Monarquia - Governo exercido através de um rei ou monarca, representante de uma dinastia considerada nobre; governo hereditário e forte (Israel -1 Sm 8.5-7).
  • Oligarquia - Governo exercido através de uma elite, geralmente eleita pelo  povo (Inglaterra).
  • Democracia - Governo do povo, pelo povo e para o povo ( Estados Unidos).

4) Sistemas totalitários - Um fator que tem acometido grande parte dos países do mundo é a infiltração de ideologias políticas que levam a sistemas de governos totalitários, ou seja, não respeitam as pessoas como indivíduos – massificando-as, coisificando-as, robotizando-as. Sua pregação é um combate desmoralizador do “sistema capitalista burguês”. O processo para a implantação de tais regimes é: desmoralização do governo – anarquismo – caos sócio–político e econômico – ditadura – regime dominante. Alguns destes regimes são: nazismo (Alemanha), fascismo (Itália), comunismo (Rússia, China) e capitalismo (América Latina).

5) Como cristãos evangélicos - não devemos nos comprometer ou nos envolver com tais sistemas, pois afirmamos que o Cristianismo é a resposta para os anseios da humanidade. Desde que, seja o cristianismo que preconize o Evangelho de Cristo e o Cristo do evangelho.

FUNDAMENTOS BÍBLICOS SOBRE POLÍTICA

1) Bíblia como revelação da vontade de Deus - Acreditamos sinceramente que a bíblia revela a vontade de Deus para a orientação do Cristão em todas as áreas, não apenas por conter, mas por ser a gloriosa Palavra de Deus (Jo 17.17;  2Tm 3.16,17; 2 Pe 1.20,21). Vejamos pois, o que a Bíblia e particularmente o Novo Testamento tem a dizer acerca da conduta política do Cristão. A Bíblia deve ser vista  e entendida de duas formas: descritiva e normativa para revelar-nos o propósito de Deus.

2) “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus” - (Marcos 12.13-17; Mt 22.21). Todo cristão tem uma responsabilidade política, uma obrigação em relação ao estado. No texto acima, vemos os fariseus e os herodianos usando em sua pergunta o verbo simples – “É licito dar tributo a César ou não?” Jesus em sua resposta usa o ver  composto “Apodidomai” Que significa "dar" ou "devolver" o que alguém deve a otrem. A respos­ta de Cristo marca o ponto de partida para a definição cristã da relação entre a Igreja e o Estado. Não é uma posição anarquista. Cristo reconhece que o Estado cumpre um papel relevante na vida da comunidade. A lei é a coesão para comprimento da lei, são necessárias em face da perversidade inata à natureza humana. A ordem estabelecida pelo Estado proporciona o ambiente de tranqüilidade e paz para a atuação da graça salvadora de Deus com os homens (1Tm 2.2-4). Nota-se de passagem, que o governo vigente era totalitário, tendo-se  imposto aos  judeus e ao mundo pela conquista armada mantendo a "paz romana”- atrevés de um rígido aparato coercitivo. Isso não implica acomodação ou aprovação de tal sistema. É preciso discernir o tempo certo para cada realização (Ec 1.3).

3) "Não há autoridade que não provenha de Deus...ins­tituída por Ele" - (Romanos13.1-7). O texto trata da obediência às autoridades; o sujeito do imperativo é "todo homem", que por inclusão significa também "todo cristão". Isto mostra enfaticamente  que não há ninguém na Igreja que esteja isento do dever de submeter-se as "autoridades superiores”. Aqui temos a maior razão teológica e o porque da proposta de obediência ao "César", feita por Cristo. É Deus quem enaltece e derruba os governantes. Por  Portanto, ninguém exerce autoridade soberana a menos que Deus o tenha elevado (Direito divino). Esta Escritura destaca duas funções básicas do Estado: promover o bem (13.4a) e corrigir o mal (13.4b). Mesmo quando essas duas funções sejam invertidas pelo Estado, os cristãos não devem partir para a vingança (Rm 12.19). Mas para a denúncia profética. Esta é a posição de fé evangélica que não ficará sem a retribuição de Deus. 1Pe 2.13-17 “sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor”. Aqui acrescenta-se um motivo adicional para a submissão às autoridades. Não é por um tributo de reconhecimento à honestidade e justiça da autoridade e instituições, que devemos nos sujeitar (sem subserviência) a elas. Devemos faze-lo "por causa do senhor". Precisamos rever hermenêutica destes textos: respeito e obediência - Não significa levar os governantes e seus agentes a sério mais do que eles mesmos tomam a si mesmo e as suas funções. Não é assumir uma posição servil de adulação e hipocrisia. Repreensão quando for necessário, quando não houver verdadeiro respeito para com os cidadãos, quando houver medidas injustas, etc. Obediência enquanto não entra em conflito com a obediência a Deus e sua Palavra.

4) "Orar em favor...de todos os que se acham investidos de autoridade” -  (1Timóteo 2.1-7). Deve ser uma oração, com perseverança e fé. A oração é parte essencial da responsabilidade do cristão em relação a autoridade civil. Seja ela cristã ou pagã, indiferente à religião ou antireligiosa, justa ou injusta. A posição de indiferença e ostracismo do cristão em relação ao Estado, é inteiramente reprovável. Se levássemos mais a sério a intercessão pelas autoridades constituídas, cremos que os problemas da sociedade seriam mais facilmente resolvidos. Contudo, devemos associar a oração piedosa com uma ação transformadora (cf. Lc 11.9,10).

5)  "Antes importa obedecer a Deus que aos homens" - (Apocalipse 13.11-18; At 8.29). O que é de Deus deve ser dado a Deus e não a César. Se é correto que há uma esfera que pertence ao Estado, por delegação de Deus, também há outra esfera de autoridade que pertence exclusivamente a Deus. O estado que ultrapassa seus limites deixa de cumprir o propósito para o qual foi estabelecido. No texto em pauta vemos isto ilustrado “besta que subiu do mar” - poder totalitário que demanda não apenas a obediência, mas "também adoração. Com isso usurpou a esfera de Deus, tornando-se na manifestação do Anticristo. Aqui se justifica a resistência contra o estado, seja em que regime for. Isso exige  do cristão e da Igreja uma atitude duplamente profética: anuncio e denuncia. Requer coragem e disposição para o martírio, se necessário. Preconizamos: Uma Igreja livre num Estado livre. Isso requer participação política ativa e responsável em cada geração.    

CRISTO E AS OPÇÕES POLÍTICAS DO SEU TEMPO

 1) Dominação Romana - Aqui não iremos abordar a perspectiva político-religiosa na vida de Israel (Velho Testamento) e na vida da Igreja (história Eclesiástica), mas apenas o exemplo de Cristo. A situação sócio-política da Palestina, durante a vida terrestre de Jesus Cristo era de “dominação romana”. Um povo muito unido em sua fé, o povo hebreu, estava já há várias gerações dominado. Havia no coração do povo a grande esperança de que o Messias traria também libertação político-social (Lc 1.19-55). Jesus afirma claramente que veio estabelecer o Reino de Deus, a partir dos corações dos seres humanos (Mc 1.14,15). Vejamos como Jesus se relacionou com as possíveis opções políticas de seus dias. Aprendamos com seu exemplo.

2) O partido dos Fariseus - A palavra é traduzida de parushim, que significa "separados". Até hoje não se sabe a data do surgimento dos fariseus. Este nome foi dado a esta seita político-religiosa, em virtude de sua rígida observância aos preceitos da lei de Moisés, tanto a oral co­mo a escrita (Lc 18.10; At 23.6; 26.5; Fl 3.5). Jesus exprobrou os pecados deste partido e responsabilizou-o por crimes, injustiças e hipocrisia (Mt 23). Eles estavam engajados na vida social, sem abandonar as linhas rígidas da tradição para manter a "separação”. Religiosamente se consideravam superiores aos demais, mas socialmente ingeriam em todas as  transações da sociedade. Participavam da vida política e econômica, mantendo apenas alguns limites: havia coisas das quais não participavam. Assim mantinham a pureza de sua intenção e de sua dissidência. Embora vivessem sob o domínio romano, não compartilhavam da culpa de colaboração, porque rechaçavam todo o compromisso com os exploradores, em certos pontos definidos. Jesus também os condenou, denuncionando-os como invalidadores da lei de Deus por causa de suas tradições (Mc 7.1-9). O seu conservadorismo tradicional chocou-se com Cristo e foi em nome da ortodoxia que condenaram o Mestre Amado. Foi o partido que mais perseguiu a Jesus Cristo e que finalmente o levou a cruz.

3) O Partido dos Saduceus – Pensam alguns que eles vieram de "Zadoque",

sacerdote mencionado por Ezequiel (Ez 43.19 – cf. 1Rs. 2.35). Segundo Geiger, os saduceus constituíam, uma classe sacerdotal aristocrática. Angus diz: "Os saduceus eram os verdadeiros tsadikins, os homens retos, que insistiam mais na prática da lei moral do que no cumprimento da lei cerimonial” Os saduceus eram afastados e exasperados com a puerilidade e contradições do sistema farisaico, tornando-se rudes e céticos (Mt 12.18-27; Lc 20.27; At 4.1; 5.17; 23.8). "Os saduceus eliminaram inteiramente o fato e negavam a intervenção de Deus no fazer ou não fazer o mal. O fazer o bem ou o mal compete à vontade do humana, faz parte do seu querer, este pode escolher o que lhe apraz "(Josefo). Constituíam um grupo elitista burguês. Por causa das posições e privilégios do sistema dominante, eram os principais colaboradores. Naturalmente, tiravam o melhor  partido da difícil situação. Conseguiam vantagens: para o seu povo, entre elas, o privilégio de não serem usados os símbolos do exército pagão romano em Jerusalém e a continuidade do culto judaico sem restrições. Eram especializados na política colaboracionista com os opressores e exploradores do povo oprimido. Jesus não fez escola com eles e por isso também foi perseguido pelo grupo (Mt 22.23-33; Mc 12.18 ). O partido dos herodianos (correligionários de Herodes) serrava fileira com eles (Mt 16.6; Mc 8.15), Tendo apenas pequenas discrepâncias políticas.

3) O partido dos Essênios - Depois dos fariseus, os essênios, eram os mais numerosos entre os israelitas. Eram "separatistas", ou seja, rejeitavam radicalmente todo o sistema é por isso se isolaram da sociedade. Passaram a viver isolados em mosteiros ao longo do Mar Morto. Formaram, comunidades que rejeitavam totalmente a presença romana e esperavam a  intervenção de Deus para estabelecer seu Reino de justiça. Muitos dos textos bíblicos e manuscritos do Antigo Testamento, foram preservados nos seus mosteiros do deserto. A separação não é estratégia muito eficaz, mas revela em si mesma grande integridade moral, porque procede de maneira coerente. Recusa tudo e se retira, na esperança de que a intervenção  milagrosa de Deus venha mudar as coisas. Eram puritanos na sua ética e místicos na sua fé. O Novo Testamento não os menciona de forma alguma. E Jesus Cristo deixa claro não concordar  "in totum" com o pensamento deles (cf. Jo 17.13-18).                                                                                ­

4) O partido dos zelotas - Assim chamados, por causa do seu fanatismo em observar a lei de Moisés. Achavam que esta lei, devia ser guardada mes­mo a custo de espada. Depois ganharam o nome de “sicários”, derivado de "sica", uma espécie de punhal romano, usado por debaixo da camisa. Em doutrina eram iguais aos fariseus, distinguindo-se destes pelo acentua­do amor à liberdade e desprezo à vida. Absolutamente, não pagavam tribu­tos a César. Promoviam um movimento clandestino de “revolução armada” a cada 20 anos, desde o ano 50 a.C. até o ano 125 d.C. (At 5.17). Rejeitavam profundamente a situação existente e propunham a mudança por meio da Força. Acreditavam ainda que além da força física de suas armas, podiam contar também com a ajuda milagrosa de Deus, quando chegasse o mo­mento da rebelião. Jesus teve um apóstolo que pertencera a esta seita - "Simão, o zelote" (Lc 6 .15). Pelo que nos consta nos Evangelhos, apesar de toda crítica e condenação ao sistema vigente, na vida e mensagem de Cristo, Ele não se tornou membro deste partido. Pois, pagou tributo, ensinou respeito às leis submetendo-se como homem às leis do seu povo e daqueles que governavam a Palestina. Embora Jesus compartilhasse da in­quietude social de sua época, Ele não entendia o Reino de Deus como os zelotas. Além do mais, não havia nada de novo na atitude de combater a violência pela violência. A forma de Deus através de Cristo não é a de dominar, violentar, mais é de servir, dar-se ao outro. A opção zelota não é o caminho de Cristo. O remédio de Deus para a redenção completa do ser humano é: A criação do novo homem integrado na nova comunidade, a sua Igreja precursora do Reino de Deus, que breve se tornará realidade visível (2Co 5.17; 1Co 12.13; Mt 6.10).

MUDANDO NOSSA MANEIRA DE PENSAR

1) Não alimente idéias políticas utópicas - que visem o estabelecimento de uma sociedade perfeita no curso da história. Só é impossível ao ser humano por causa da sua inerente natureza propensa à injustiça ou pecado. A política por mais bem intencionada que seja, nun­ca trará a dimensão plena do Reino de Deus.

 2) Evite a idolatria polí­tica - que leva alguns a acreditarem que esta ou aquela facção política ou sistema ideológico, pode solucionar e tem todas as respostas para a problemática do homem. Esse endeusamento político leva o homem a esquecer-se do seu Criador como a resposta para os seus anseios.

3) Fuja do posicionamento alienante - ou acomodatício e comprometedor com sistemas dominantes injustos e pecaminosos. O pecado da omissão ou da acomodação são insuportáveis na vida do cristão.

4) Jamais se deixer seduzir - pelo encanto das ideologias reacionárias (extrema di­reita); e revolucionárias (extrema esquerda) de força. Um seguidor de Jesus Cristo conhecedor da ética do sermão do monte jamais acolherá em seu coração e atos outra violência, senão a do amor.

 5) Jamais pratique o suborno e demagogia - daqueles que inescrupulosamente defendem o princípio jesuí­tico  “Os fins justificam os meios”.

6) Observe todas as recomendações e princípios - extraídos, quer dos exemplos das palavras do Santo Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo, bem como de toda a Bíblia, quando trata da inserção do cristão nas estruturas da sociedade.

7) Procure se informar bem dos fatos cotidianos - para ter uma visão global da sociedade, seus problemas e possíveis indicações de soluções a nível humana, desde que haja honestidade e boa vontade, sob o “temor de Deus”.

8) Desenvolva um senso crítico pessoal - rejeitando todos os posicionamentos que diminuem a dignidade humana preconizada no evangelho de Jesus Cristo. Evite olhar o ser humano como um “ser desencarnado”, “alma etérea", tendo apenas necessidades "espirituais" e não também temporais.

9) Seja um cristão que busca amadurecer - e se esforça por testemunhar individual e coletivamente, por palavras e atos, a possibilidade de "uma nova sociedade” a partir do “novo homem em Cristo”. O evangelho contém um "programa político" do Reino de Deus, que propõe ao ser humano sua libertação integral, tanto do pecado pessoal como de estruturas pecaminosas (Mc 13.9), o que pode trazer perseguições. Deus nos convoca a vivermos sem procurarmos escapar do presente, absorvidos por uma contemplação pietista que, menospreza a dimensão social da fé cristã.

10) Mantenha acesa a chama da esperança - no cumprimento fiel das promessas de Deus. Lembre-se que nem a ordem do mundo presente, nem as instituições que pertencem a ele durarão para sempre. O cristão consciente sabe também, que o fim ao qual se  dirige a história é a vinda de Jesus Cristo em gloria; a manifestação decisiva, sem ambigüidades do reino de Deus; o estabelecimento da “nova ordem eterna”. Nesta realidade ele vê não apenas a limitação última sob a qual se desempenham os estados e governos da história. Esta é a nossa esperança e certeza.

ANTES DE VOTAR EM QUALQUER CANDIDATO OBSERVE

1) As promessas do candidato - É comum o dito "político promete, mas não cumpre". Muitas promessas são mirabolantes e não passam de fra­ses publicitárias para conquistar o eleitor. Avalie a compatibilidade das promessas com a viabili­dade e a capacidade de o candidato cumpri-Ias.

2) A Vida pessoal do candidato - Considere a his­tória do candidato, suas realizações, seu relacionamento familiar. Que valor o candidato dá ao indivíduo? Como ele convive com o poder – é autocrático, frouxo, democrata? Dialoga com os outros ou é cratomaníaco, megalômano? É opor­tunista daqueles que só se lembram dos eleitores em época de eleição?

3) O Voto vinculado à Fé - "Crente vota em crente", dizem muitos candidatos evangélicos em campa­nha pelas igrejas. Estamos cansados em votar em candidatos evangélicos que, uma vez no mandato, geralmente nenhuma influência cristã exercem. Aliás, tem havido muitos escândalos envolvendo políticos que se dizem crentes. Sem dúvida, nossa prioridade deve ser votar em candidatos evangélicos, mas também deles exigir pronta e efetiva atuação parlamentar dentro dos padrões bíblicos. Chega de ingenuidade e demagogia política.

4) O engano das estatísticas - Não po­demos nos enganar com os dados estatísticos que nos dão uma falsa ilusão de que a maioria sempre tem razão. Devemos ter plena consciência sobre em quem estamos votando. Devemos votar num candidato não pela sua posição nas pesquisas, mas pelas suas qualidades. Sejamos sensatos!

5) A oração e consulta aos líderes Espirituais - antes de vo­tar é fudamental. Devemos também orar depois de votar, seguin­do a admoestação do Apóstolo  Paulo: "Exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de auto­ridade (I Timóteo 2.1-3).

A igreja como instituição não deve se tornar político-partidária, quer por interesses que a favoreçam ou por ideal transformador. Porém, deve conscientizar e motivar seus membros ao exercício pleno de sua cidadania terrena responsável. Os deveres, do cidadão para com o Estado, seja ele cristão ou não, formam o conteúdo do que se chama “moral cívica”. Com efeito, os membros da sociedade política possuem certos deveres positivos para com o Estado. São deveres morais, porque se impõem realmente, à consciência de cada pessoa. Quatro são os deveres fundamentais do cidadão: a) Obediência às Leis; b) O pagamento de impostos; c) A defesa da pátria; d) A participação política no governo da nação, através de seus representantes eleitos pelo sufrágio universal. Cumpramos pois, como bons cidadãos do Reino de Deus e da Pátria terrena nossos deveres, para que possamos reivindicar justos direitos.

 

Extraido do Livro a Igreja & a Politica : Basileia Editora Missão/2008

 
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